APRESENTAÇÃO

Este “blog” surgiu para dar vazão a um ímpeto, quase compulsivo, de escrever, que me acompanha a todo o momento. A minha saída da comunicação social, que me desvinculou de qualquer órgão informativo, não eliminou a necessidade permanente que tenho de escrever. Poderia preencher esse vazio sem premência, mas, sinto um desejo voraz de estar em contacto com o público. Tenho em mente escrever alguns livros, contudo, isso remeter-me-ia para um tempo de pesquisa, necessariamente solitária. Não perdi de vista essa possibilidade, preciso, todavia, de sentir a relação com o leitor, constantemente. Tirando partido das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) — embora o papel e o jornal ainda sejam a minha paixão —, criei, depois de outras experiências, Soutoemlinha (no sentido de “online”), cujo nome traduz o estado de espírito que atrás referi. Tenho experimentado vários modelos, o que, reconheço, pode perturbar um pouco a eficácia da mensagem. Vou, continuar, no entanto, a aperfeiçoar os aspectos formais deste canal de comunicação, com expectativa e a esperança de ser cada vez mais lido. Das várias secções do “blog”, acabo de lançar esta FOLHA crítica e noticiosa, que pretende ser um espaço de acompanhamento da atualidade, de duas maneiras: dando a minha opinião e informando com os dados que consiga obter. Embora esteja desligado de qualquer órgão de comunicação social, mantenho a minha Carteira Profissional de Jornalista (n.º 5508), com carácter de “freelancer”, ou “blogger”. Esta situação poderia provocar alguma desconfiança perante as fontes de informação, porém, até hoje, salva uma exceção, nunca me apercebi disso, o que é sinal — desculpem-me a vaidade — de confiança no jornalista. A FOLHA crítica e noticiosa (integrada no “blog” Soutoemlinha, tal como outras secções, nomeadamente Faial todos os dias) tem uma natureza aproximada ao espírito da imprensa faialense do passado, quando os jornais procuravam identificar-se com os leitores mais diretamente, tratando de assuntos de âmbito local (ou localíssimo, como gosto de dizer), de um modo que até às vezes poderá parecer demasiado particular. Esta era a índole da imprensa dos séculos passados, de boa memória, nos meios pequenos. Em vez de apostar numa aparência gráfica moderna, prefiro um figurino simples, do género de uma folha de papel, precisamente para evocar esse tempo, da era pré-informática. Esta FOLHA crítica e noticiosa pretende ser um “velho jornal novo”, ou seja, fazer a síntese do espírito jornalístico de antanho e da evolução que, entretanto, ocorreu, não só no aspecto tecnológico, mas também no da comunicação propriamente dita. Fiz uma primeira tentativa para dar corpo a esta ideia, neste “blog”, com Soutoinquieto, que descontinuei, porque a FOLHA crítica e noticiosa está, a meu ver, mais de acordo com a finalidade que me propus alcançar. (Souto Gonçalves) | x

CAMPO SINTÉTICO DO ATLÉTICO AVANÇA

«Dia histórico para o nosso Clube, o dia em que o sonho passou a realidade». Foi com estas palavras que, ao início da tarde de hoje, o Angústias Atlético Clube (AAC) assinalou, através de uma publicação no Facebook, o começo das obras de instalação de um piso sintético no seu campo de futebol, junto à pedreira da doca [na fotografia, com direitos reservados].

A notícia é surpreendente, pois, aquando do centenário do Atlético, no início do ano, o campo sintético, apesar de reivindicado, parecia, ainda, uma miragem. Nunca mais se falou do assunto, pelo menos publicamente, razão pela qual o início da obra surge como uma “jogada” inesperada. Este é «o dia em que muitos não acreditavam que iria chegar, o dia que mudará o AAC», lê-se na publicação do Facebook, onde é acrescentado que o empreendimento «ficará marcado na história de todos os alvinegros».

O investimento atingirá € 237.211,20, apoiado pela Associação de Futebol da Horta (AFH) e Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com € 65.000,00 e até 30% pela Câmara Municipal da Horta, ou seja, cerca de € 70.000,00. | x

SEMANA DO MAR: POR QUE NÃO UMA MESA-REDONDA?

Há um ano, no final de setembro, a Comissão Organizadora reuniu-se para fazer um balanço da 45.ª Semana do Mar e projetar a edição seguinte. Espera-se que o mesmo aconteça, terminada que está a Semana do Mar de 2023. Este é o acontecimento que mais envolve os faialenses, de forma concentrada, despertando vivamente o seu interesse. Uma psicóloga, luso-americana, natural dos Flamengos, emigrada há mais de 40 anos, que regressa à sua terra frequentemente, fez um comentário interessante, no Facebook, sobre o sentido da festa: «Incrível variedade de apresentações todas as noites durante uma semana e todas gratuitas para que todos possam desfrutar. Ótima maneira de unir a comunidade.» Eduína Martins destacou o aspecto, provavelmente, mais valioso da Semana do Mar: o envolvimento da comunidade.

Na hora do balanço talvez fosse, por isso, oportuno promover um debate de modo que os faialenses se pronunciassem sobre a Semana do Mar. Como qualquer acontecimento relevante, também a maior festa do Faial suscita opiniões diversas, que seria bom recolher e avaliar. A comunicação social local tem, aqui, uma responsabilidade acrescida e pode tomar a iniciativa. Por que não uma mesa-redonda, aberta ao público? Não faltarão cidadãos capazes de participarem com um contributo válido.

Não seria a primeira vez, pois, ao longo das suas 46 edições, a vontade de contribuir para uma melhor Semana do Mar tem existido. Em 1985, apenas uma década após o início da festa, a Câmara Municipal lançou um concurso de ideias. Paulo Gonçalves integrava o grupo de cidadãos que ganhou o concurso. Este professor de educação física recordou, há dias, no Facebook, que algumas das ideias apresentadas foram postas em prática. «A maior parte não foi, e algumas ainda fazem sentido hoje», escreveu. Paulo Gonçalves lembrou, também, que uma das ideias avançadas concretizou-se em 1986 através da realização da «primeira competição oficial de vela, no Faial, de nível nacional, o Campeonato Nacional de Prancha à Vela» [na fotografia, com direitos reservados, o diretor regional do Desporto, Eduardo Monteiro, falando durante uma cerimónia do evento].

Além de outras iniciativas que foram surgindo, nomeadamente um “blog” para discussão, da irresponsabilidade do Município, um grupo de cidadãos organizou, em 2015, uma série de debates, cujo resumo foi entregue à Câmara Municipal.

Portanto, está mais do que provado que os faialenses estão interessados em contribuir para aperfeiçoar a sua festa maior. Dê-se-lhes a oportunidade e concluir-se-á que há quem tenha um espírito positivo, ao contrário de uma ideia peregrina que por aí grassa segundo a qual só se sabe criticar. | x

FAIAL TODOS OS DIAS

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