No “meu” tempo, o tempo, em julho, não era assim

ANTES DE CONTINUAR este texto vamos esclarecer uma coisa: quando ouvia alguma pessoa mais velha usar esta expressão — “no meu tempo” —, achava ridículo, pois, o tempo é sempre nosso, quer seja pouco ou muito, pensava eu…
Agora, que me conto entre aqueles que já têm “a sua idade”, começo a perceber o verdadeiro significado do “meu” tempo. Em novos, julgando-nos donos do tempo, fazemos dele o que queremos, pois parece abundante e até nos damos ao luxo de esbanjá-lo; em velhos, sentimo-lo escapar-se e ele, verdadeiramente, já tem pouco de nosso.
Portanto, repito, no “meu” tempo, o tempo, em julho, não era assim!
Todos sabemos que o primeiro dia de agosto é o primeiro dia de inverno, mas, até lá, “no meu tempo”, tínhamos julho para desfrutar do verão a valer. Lembro-me que, quem queria subir o Pico, tendo a garantia de que poderia ver o sol nascer e contemplar mais de metade das ilhas dos Açores de uma só vez, fazia-o em julho. Eu fui duas vezes em agosto e trouxe uma chuveirada na pele, para além do nevoeiro, sempre a um palmo diante do nariz!
O bispo de Angra seguiu a tradição e escolheu julho para dizer missa no Alto da Montanha. Teve sorte! Não faltam fotografias espalhadas pelas redes sociais sobre o acontecimento, que não é inédito, mas, mostrou Armando Esteves Domingues em boa forma. Seria caso para dizer que esta subida ao Pico está a fazer mais pela Igreja do que o Espírito Santo.
Apesar de tudo anda muita gente a queixar-se que o mês de julho, a chegar ao fim, não prestou para nada, já não é o que era! Não faltou chuva, nem um “tempezinho” mole e chato, como está hoje.
Foram poucas as tréguas dadas pelas alterações climáticas, que, presentemente, são a justificação para muitas coisas estranhas que estão a acontecer. Não obstante, o verão aproveitou bem as poucas oportunidades que teve em julho e houve um ou outro dia de canícula a valer. A prova são as duas fotografias aqui publicadas — no topo, de Helder Silva; abaixo, de Roberto Morais.



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