
RUA FORMOSA. De todas as do Faial é a que tem o nome mais bonito. O nome, porque, quanto ao resto, isto é, quanto à formosura que se lhe possa reconhecer, a conversa é outra. Esta Rua tem os seus atributos, sobretudo para quem lá vive, pois o lugar onde habitamos torna-se, quase sempre, uma parte de nós próprios. Mas, reconheçamos que a Rua que liga a Praça dos Flamengos a São Lourenço, não oferece, presentemente, garantias de manutenção do estatuto que a sua denominação supõe. Ainda por cima depois de tantos anos (quase) ao abandono! A obra que ali foi feita de saneamento e lançamento de um novo tapete betuminoso assemelha-se bastante àquela situação em que se varre a sala e se atira o lixo para debaixo do tapete. Basta olhar para as bermas do arruamento: nem passeio, nem valeta em condições e os acessos aos pequenos troços de caminho que entroncam na via principal estão uma lástima [fotografia no topo]. Que o digam os frequentadores da zona, cujas viaturas começam a ficar danificadas, por exemplo, nos respetivos para-choques. Ninguém gosta de ver o seu carrinho, ainda por cima se for novo, amolgado ou riscado. Parece que os responsáveis municipais foram alertados para o problema, responderam que essa parte não estava no orçamento da obra, mas que iam resolver o assunto. Acontece que, talvez, Santa Engrácia ficou com mais uma à sua conta. O piso está excelente, as bordas envergonham qualquer um. Será falta de brio ou de dinheiro? Anda para aí, agora, uma frase feita que diz que «construir mal não é melhor que não construir». Não se aplicará no caso vertente? A dita frase, curiosamente, é da autoria dos mesmos que assinaram a conclusão da Rua Formosa.

PORTO E AEROPORTO. A nossa baía [na fotografia, de José Capelo] está linda! Toda a gente exulta com os barquinhos salpicando o espelho de água entre a velha doca e a Marina, ou a Avenida, pois só falta arregaçar as calças até ao joelho, na maré baixa, saltar do convés dos “aventureiros” e trepar o quebra-mar ali perto do Canto da Dona Joana. Tão deleitoso quadro avivou o debate sobre o reordenamento do Porto da Horta e, como isto costuma ser de marés, esqueceu-se, por agora, o Aeroporto. E com razão, pois não se pode atender a várias coisas ao mesmo tempo. Os desgraçados dos socialistas (que nunca serão absolvidos do pecado de terem assassinado a nossa linda baía), estão satisfeitos, pois com tantos iates a pedirem um lugarinho para atracar, a falta da obra do Porto salta à vista. Os PPD’s (para usar a terminologia com que Renato Leal gostava de achincalhar os seus adversários, não tendo consciência de que era a si próprio que ridicularizava) andam com o rabo entre as pernas, porque a batata quente caiu-lhes nas mãos. Ainda outro dia numa reunião da Câmara o vice-presidente do Município descaiu-se e reconheceu que não é fácil fazer as contas da Semana do Mar, ou seja, quando se está na oposição é tudo facilidades (o PSD exigiu, muitas vezes, eu incluído na altura, que a Câmara apresentasse os gastos da nossa festa maior), quando se passa para o poder, a porca começa a torcer o rabo… O famoso desenho do comandante Rui Terra voltou às redes sociais com adeptos da construção de um novo cais fora da doca sul e reorientação da doca norte (deitá-la abaixo e pô-la onde estava no projeto inicial) a carregarem nas tintas. Vou chamar a tal empreendimento o “sonho impossível”, pode ser que consiga entrar na história local como um visionário. Entretanto, da minha janela, vejo trabalhos de renovação completa da vedação da pista do Aeroporto, colocando-a mais fora. O que é que isto quer dizer? O Grupo Aeroporto da Horta, que anda um bocado emudecido, deve saber.

FESTAS DO SENHOR ESPÍRITO SANTO. Passada que está a parte substancial das Festas do Senhor Espírito Santo (ainda haverá Impérios pelo verão fora), a conclusão que se pode chegar é a de que esta nossa genuína tradição está em grande [na fotografia, a procissão do Império dos Nobres, na Matriz da Horta, um voto realizado em nome de toda a ilha]. A pandemia foi um intervalo e, no regresso, as Festas reapareceram com grande fulgor. As redes sociais, por exemplo, mostraram-no de forma evidente. A parte religiosa continua dentro dos cânones a cumprir-se com um testemunho de fé bem arreigado no povo e a parte recreativa até conheceu inovações, pelo menos em relação aos anos mais recuados: porco no espeto e “karaoke” foram comuns a muitos programas dos Impérios do Faial. A chamarrita, (re)popularizada, está na moda e foi bailada por todo o lado. Depois de um período em que se verificou quase o desaparecimento das sopas, elas tornaram-se, de novo, o prato forte das “promessas”. E, mais importante do que tudo, já não se pode dizer que “os novos” não querem nada com isto, conforme se ia ouvindo daqueles, mais velhos, que, em razão da idade, sacrificadamente, mantiveram vivo o legado dos pais e avós. Dá gosto constatar, salvas as exceções, que as Direções dos Impérios estão tomadas de gente jovem, que arregaça as mangas e se chega à frente. E fá-lo com alegria estampada no rosto. Dir-se-sá que é o poder da fé. | x



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