Saída de João Morais poderá arrastar diretor clínico

O DIA DE ANIVERSÁRIO do Hospital da Horta, assinalado na data da passagem desta unidade de saúde da alçada da Santa Casa da Misericórdia para a jurisdição do Estado e que ontem ocorreu pela 47.ª vez, fica marcado, em 2022, pela mudança na presidência da respetiva administração. Teresa Faria Ribeiro substitui João Morais, que saiu após cumprir três mandatos (2013-2022).

A nova administradora do Hospital deixa vago o cargo de presidente da Unidade de Saúde da Ilha do Faial (USIF), interrompendo a comissão de serviço, que assumira, substituindo Helena Reis, na sequência da entrada em funções do novo Governo Regional.

Após as eleições de 2020 os cargos de confiança política, como é norma, começaram a ficar sujeitos a alteração dos respetivos titulares e, no caso do Faial, a presidência do Hospital assumiu-se como uma situação preponderante, não apenas por se tratar de uma instituição inserida num sector crítico da política regional, mas também porque existia uma longa contestação, do principal partido de oposição ao Governo do PS, à gestão de João Morais.

Com a chegada do PSD, coligado, à governação dos Açores, os holofotes incidiram sobre o Conselho de Administração do Hospital e começou a especulação sobre quem seria o substituto de João Morais, que, porém, cumpriu o mandato até ao fim.

Entretanto, a Administração do Hospital da Horta continua sob escrutínio da opinião pública faialense uma vez que existe grande curiosidade sobre se uma peça fundamental do organismo em causa – o diretor clínico – continuará a ser o mesmo.

O binómio João Morais – Rui Suzano (atual diretor clínico) era tido como indissociável razão pela qual recaem dúvidas sobre se a chegada de Teresa Ribeiro não provocará mudanças na direção clínica.

Por sua vez, o preenchimento do cargo de presidente da USIF é aguardado com expectativa e o facto da questão não ter sido resolvida concomitantemente com a do Hospital dá a entender que o Governo não tinha, ou não tem, uma solução para apresentar já.

A dificuldade poderá estar na circunstância de a nova presidência da USIF poder parecer, inevitavelmente, uma segunda escolha, visto que é natural perguntar por que é que quem agora vá para a Unidade de Saúde da Ilha do Faial não foi escolhido para o Hospital, tratando-se de duas instituições da mesma natureza, embora com dimensões diferentes.

MAIS DE MEIO MILHAR DE FUNCIONÁRIOS

De acordo com o Relatório de Contas estavam ao serviço do Hospital da Horta no final do ano passado 527 funcionários, dos quais 34 médicos, 159 enfermeiros, 60 técnicos e 286 em variadas funções. O Hospital tinha, à data, 22 serviços clínicos: anestesiologia, (unidade de cuidados pós-anestésicos), cardiologia (cardiopneumologia), cirurgia geral, dermatologia, estomatologia, medicina física e de reabilitação (fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala), gastroenterologia, ginecologia/obstetrícia, hematologia/imunohemoterapia, imagiologia, medicina interna, nefrologia (unidade de diálise), oftalmologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia (audiologia), patologia clínica, pediatria, pneumologia (cardiopneumologia), psiquiatria (aditologia), medicina intensiva, e urologia e ainda três serviços de apoio clínico: nutrição/dietética, psicologia e serviços farmacêuticos.

DIRIGENTES

O Hospital da Horta foi dirigido, até hoje, de acordo com os dados conhecidos, pelos presidentes do Conselho de Administração Luís Carlos Decq Mota, Jorge Gonçalves, António Sebastião Goulart, Tomás Azevedo, Maria Conceição Nascimento, João Morais; pelos diretores clínicos António Sebastião Goulart, Luís Carlos Bicudo Decq Mota, Jorge Câmara, Maria Conceição Nascimento, Fátima Bairos, António Martins Goulart, Antero Furtado, Rui Suzano e pelos enfermeiros-diretores Irmã Rosa, Maria do Rosário Oliveira Martins, Armindo Silva, Isabel Moacho, José Manuel Garcia, Salomé Matos, Amândio Teixeira, Maria Ajuda Neves, Cristina Abrantes.

PRINCIPAIS ETAPAS. Sónia Domingos publicou hoje um artigo no semanário Tribuna das Ilhas a propósito do 47.º aniversário do Hospital da Horta, intitulado «Um breve passeio pela história da assistência hospitalar na cidade da Horta». Com base nas informações ali apresentadas FAIAL GLOBAL fez uma cronologia das principais etapas desta unidade de saúde (citações do artigo entre aspas). ANO 1500 (início da segunda década) — «Aparecimento da primeira assistência hospitalar organizada, enquanto instituição, (…) com o estabelecimento da Santa Casa da Misericórdia e instalação do primeiro hospital». «Presume-se que o primeiro hospital tenha funcionado, até ao início de 1800, anexo à Igreja da Misericórdia, situada entre a Rua D. Pedro IV e a Travessa da Misericórdia, até à Rua Serpa Pinto.» ANO 1832 — Decreto Régio de D. Pedro, com data de 23 de abril, determina a cedência do «Convento de Santo António dos Capuchos à Santa Casa da Misericórdia para a sua nova instalação, um edifício do séc. XVIII, onde se encontra hoje a Casa de Infância de Santo António». ANO 1835 — «Por confinamento do espaço, o hospital passará a funcionar, por alvará régio de Fevereiro (…), no convento de S. Francisco, após realizadas adaptações.» ANO 1899 — «Após um incêndio que destrói grande parte do edifício, o hospital é transferido provisoriamente para um edifício do município, a hoje conhecida “Casa da Roda”, na Travessa da Misericórdia.» ANO 1903 — São inauguradas duas enfermarias, construídas de raiz, onde hoje funcionam as instalações da Universidade dos Açores, na Horta, cujo edifício é conhecido por “Hospital Velho”. ANO 1911 — Conclusão do edifício referido no parágrafo anterior. ANO 1921 — O Hospital passou a denominar-se Walter Bensaude, «em honra de um relevante benemérito». ANO 1973 — «Um violento sismo (…) causa danos avultados no edificado e seguindo orientações do Laboratório Nacional de Engenharia Civil procedeu-se à mudança de local.» ANO 1975 — «Com a mudança da administração do hospital da Misericórdia para o Governo da República é empossada pelo Governador Civil da Horta a primeira comissão instaladora do então designado Hospital Distrital da Horta, a 30 de Setembro (…), que passou a ser celebrado como o Dia do Hospital da Horta.» ANO 1976 — O Hospital começa a funcionar no edifício do Centro de Saúde da Horta, onde antes existia o Lazareto. ANO 1985 — No dia 27 de maio, Segunda-feira do Espírito Santo, é inaugurado Hospital Regional da Horta, na Estrada Príncipe Alberto do Mónaco (Canada de Porto Pim). O Hospital da Horta foi, entretanto, ampliado, enquanto se espera que, em breve, a Unidade de Saúde do Faial (Centro de Saúde) passe a funcionar em instalações contíguas, construídas para o efeito. |X|

Discover more from soutoemlinha

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading