Diário do Vulcão

O tempo vai passando e o Vulcão dos Capelinhos, um dos maiores acontecimentos da história da ilha do Faial, apesar dos 50, 60 e, agora, 65 anos da erupção, parece que não se afasta. Continua bem presente na vida dos faialenses, através do testemunho real representado pelas suas cinzas acumuladas ao pé do Farol. Embora haja o perigo da erosão fazê-las desaparecer, ficará o Centro de Interpretação como legado para as gerações vindouras não o esquecerem. Hoje, felizmente, a memória do Vulcão é partilhada pelos mais novos, fruto de um conjunto de iniciativas que, com regularidade, vai cimentando um particular afeto que qualquer faialense sente pelo Vulcão. Na passagem do 65.º aniversário do início da erupção do Vulcão dos Capelinhos FAIAL GLOBAL faz o DIÁRIO DO VULCÃO, recordando o que, a partir do dia 27 de setembro de 1957, os dois jornais diários existentes no Faial naquela altura foram dizendo sobre o acontecimento.

DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 1957 — 3.º DIA, HÁ 65 ANOS

Três dias depois do aparecimento do Vulcão dos Capelinhos à superfície, O Telégrafo publicava a sua edição dominical, que trazia as informações recolhidas na véspera: «O movimento de automóveis para os Capelinhos tem sido permanente, conduzindo pessoas que vão admirar o belo-horrível do fenómeno».

Depois da descrição do comportamento inicial do Vulcão, feita no dia anterior e de ter relatado o sobressalto da população e das manifestações de religiosidade nas ruas, o matutino faialense publicou as primeiras notas de reportagem verdadeiramente realistas, referindo-se a «roncos cavernosos» emitidos pela erupção. «Cerca das 18 horas – lê-se na notícia publicada na parte inferior da 1.ª página, a duas colunas, com continuação na última página – as escórias, algumas muito volumosas, começaram a ser expelidas a uma altura de cerca de 70 metros, no que eram acompanhadas por roncos cavernosos», escreveu o redator, continuando: «O mar numa área aproximada de 3 milhas de largura e 5 de comprimento apresenta-se com uma cor de amarelo sujo, parecendo lama.»

O jornal seria, normalmente, impresso ao fim da tarde, para ser distribuído no dia seguinte de manhã bem cedo. Assim sendo a alusão às horas levanta a dúvida sobre se serão horas do sábado, dia 28, ou ainda da sexta-feira. Perante as circunstâncias especiais que se viveram é provável que a edição tenha fechado (altura em que segue para impressão) tardiamente, pela noite dentro.

Se assim foi, a frase seguinte mostra quanto atualizada estava a Redação de O Telégrafo: «Cerca das 22 horas fomos informados que o vulcão começara a vomitar fogo.»

Um avião voltou a sobrevoar os Capelinhos, das 15h45 às 16h30.

Os abalos de terra tinham perdido a intensidade, embora, embora o edifício do Farol continuasse «em constante oscilação». O jornal assinalou que o Chefe Sérgio da Câmara R. Avelar e restante pessoal se mantinham, contudo, «corajosamente» ao serviço «de forma a cumprirem a sua humanitária missão». |X|

Discover more from soutoemlinha

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading